Ações do Banco do Brasil sobem quase 30% em 1 ano sem melhora nos fundamentos

Introdução

Em pouco mais de um ano, as ações do Banco do Brasil (BBAS3) acumulam valorização próxima de 30%, saltando de cerca de R$ 18 para patamares entre R$ 24 e R$ 25. O movimento incomum atrai a atenção do mercado, principalmente pela ausência de melhora proporcional nos resultados operacionais da instituição financeira.

Forte fluxo estrangeiro impulsiona valorização

O principal motor da alta nas ações em 2026 tem sido o intenso fluxo de capital estrangeiro para os ativos financeiros brasileiros. Essa demanda elevou os preços de papéis no Brasil em geral, incluindo os do Banco do Brasil, mesmo sem expansão significativa do lucro, do retorno sobre patrimônio líquido (ROE) ou do pagamento de dividendos.

Desempenho histórico e confronto com ciclo atual

Entre 2021 e 2024, o Banco do Brasil apresentou uma elevação no ROE de 12% para cerca de 20%, justificando a reavaliação positiva das ações naquele período. Contudo, no ciclo presente, não houve avanço com intensidade similar, o que gera dúvidas quanto à sustentabilidade dessa tendência de valorização no médio prazo.

Projeções para 2026 e múltiplos de mercado

As estimativas apontam para um lucro líquido aproximado de R$ 22 bilhões em 2026, superando a projeção entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões para 2025. Ainda que esta elevação seja relevante, ela não configura o papel como uma pechincha no mercado. Com um valor de mercado estimado em torno de R$ 140 bilhões, o Banco do Brasil negocia a um múltiplo preço/lucro estimado de cerca de 6,3 vezes para 2026, compatível com a média histórica recente, porém distante dos níveis mais baixos observados no passado.

Dividendos mantêm-se limitados

A política de payout do banco permanece entre 30% do lucro, o que implica em dividendos modestos para os investidores focados em renda. Espera-se distribuição de aproximadamente R$ 1,16 por ação ao longo do próximo ano, representando um dividend yield bruto próximo de 4,8% com base nos preços atuais. Após descontos de impostos, o rendimento líquido pode ficar perto de 4%, valor inferior ao de outros bancos e setores que chegam a dividend yields entre 7% e 11%.

Calendário de pagamentos e retorno total

O Banco do Brasil mantém um calendário de pagamento previsível, com oito parcelas anuais concentradas em março, junho, setembro e dezembro. Apesar do yield mais baixo, o retorno total do investimento dependerá da combinação entre dividendos e crescimento do banco, que retém cerca de 70% do lucro para reinvestimentos com expectativas de retorno entre 13% e 15%.

Contexto histórico de longo prazo

Desde o início dos anos 2000, o Banco do Brasil acumula retorno total superior a 9.000%, ou cerca de 19% ao ano em média. Considerando somente a valorização das ações, o desempenho supera o Ibovespa no mesmo período, reforçando o banco como ativo atrativo para estratégias de longo prazo, mesmo diante dos desafios atuais.

Participações estratégicas e valor de mercado

Um fator muitas vezes subestimado é o valor das participações do Banco do Brasil em outras empresas, especialmente nos segmentos de cartões, meios de pagamento, gestão de recursos e instituições associadas. Essas participações contribuem com cerca de R$ 16 a R$ 17 bilhões em lucro anual e podem representar até 80% do lucro consolidado atualmente, diante dos ajustes no segmento de crédito.

Estimativas indicam que somente os dividendos dessas participações justificam uma avaliação entre R$ 110 bilhões e R$ 140 bilhões, sugerindo que o mercado precifica o banco próximo ao valor desses ativos, sem atribuir a valorização adicional ao negócio bancário principal.

BBAS3 em 2026: estágio de equilíbrio e perspectivas

Após o expressivo movimento de valorização, BBAS3 inicia 2026 em ponto de equilíbrio. O preço não é considerado excessivo, porém perdeu o status de grande oportunidade clara. A ausência de avanços nos fundamentos básicos e os dividendos mais modestos recomendam cautela. O potencial de valorização dependerá da recuperação do crédito, da evolução do ROE e de possíveis revisões positivas nas projeções futuras.

Por ora, o Banco do Brasil se configura mais como ativo de manutenção em carteira para investidores de Sumare-SP e região, ao invés de uma opção para novos aportes com expectativas de ganhos expressivos no curto prazo.