Saúde de Sumaré recebe repasse de R$ 2,5 milhões

A população de Sumaré e toda a região será beneficiada com um grande investimento na área da Saúde Pública. O Hospital Estadual de Sumaré (HES), administrado pela Unicamp (Universidade de Campinas), foi contemplado com o repasse de R$ 2,5 milhões para a aquisição de tecnologias de ponta destinadas a neurocirurgias, como um neuronavegador, microscópio cirúrgico e equipamentos minimamente invasivos, entre eles neuroendoscópio, aspirador ultrassônico, craniotomos, drill elétricos, pinças, etc. A cerimônia que celebrou o repasse aconteceu na última segunda-feira (29 de maio).

Os recursos são originários de parte das indenizações pagas pelas empresas Shell/Basf, numa atuação conjunta histórica entre o Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região e o Ministério Público do Trabalho, em Campinas. De acordo com o HES, os novos equipamentos deverão agilizar e melhorar o atendimento em neurocirurgia, realizado 100% pelo SUS (Sistema Único de Saúde). A expectativa é ampliar algumas cirurgias e inovar em outras.

Para o prefeito Luiz Dalben, o repasse só vem a acrescentar na rede de saúde pública. “É mais um salto de qualidade e excelência nos serviços prestados pelo Hospital Estadual, que é uma unidade de referência, com diversas acreditações, e que tanto trabalha em prol da saúde dos nossos moradores e de toda a região”, comentou.

A iniciativa de redigir e propor o projeto à Justiça do Trabalho aconteceu em 2015 pelo coordenador de Neurocirurgia do HES, João Flávio Zullo. De acordo com Zullo, a ideia veio de encontro ao grande momento em que o hospital assumia uma certificação internacional canadense, uma das mais respeitadas do mundo. Em abril de 2016, o projeto foi protocolado e o primeiro sinal positivo do comitê de avaliação do TRT e MPT veio em janeiro deste ano.


Entenda o caso
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Em um episódio de repercussão nacional, que se iniciou com uma Ação Civil Pública proposta pelo Ministério Público do Trabalho em 2007 e prosseguiu com sentença condenatória pela 2ª Vara do Trabalho de Paulínia, mantida pelo TRT-15 (anos 2011 e 2012), centenas de ex-trabalhadores da Shell, em Paulínia, e seus familiares, tiveram garantidas indenizações e extenso tratamento médico em virtude dos efeitos da contaminação do solo e dos lençóis freáticos da região da fábrica daquela multinacional, desde os anos 70. Firmava-se ali, para a comunidade jurídica, o “Caso Shell”, que posteriormente foi objeto de acordo no TST, em Brasília (já em 2013), envolvendo também as empresas Raízen e Basf. As empresas concordaram em pagar o valor de R$ 200 milhões por dano moral coletivo.

Esse enredo trabalhista, cuja tristeza absoluta foi certamente sobrepujada por renovadores  ares judiciais, acabou por destinar um significativo aporte indenizatório a entidades de pesquisa e medicina. O Centro Infantil Boldrini, o Hospital do Câncer de Barretos, a Universidade Federal da Bahia e Fundacentro são instituições com projetos já aprovados para recursos do caso Shell-Basf.

(*Fonte: Assessoria de Imprensa da HES Unicamp)