A Secretaria Municipal de Saúde de Sumaré, em parceria com as Vigilâncias Epidemiológica e em Zoonoses, promoveu nesta sexta-feira (25) uma capacitação sobre esporotricose para os Agentes de Combate às Endemias. O treinamento ocorreu na Sala de Conferências do Centro Administrativo de Nova Veneza e reuniu mais de 30 profissionais.
O encontro foi ministrado pela médica-veterinária da Vigilância em Zoonoses, Jéssica Rocha, pela enfermeira e gerente da Vigilância Epidemiológica, Elane Granja, e pelo coordenador da Educação Continuada, Rafael Silvério. O encontro abordou dados epidemiológicos, formas de transmissão, manifestações clínicas em humanos e animais, prevenção, controle, diagnóstico e tratamento da doença.
O objetivo do treinamento é ampliar o conhecimento das equipes de saúde, fortalecer as ações de prevenção e controle da esporotricose e aprimorar a identificação e o encaminhamento de casos, com foco na proteção da saúde da população e dos animais.
“A capacitação fortalece a atuação dos agentes de endemias e melhora a eficiência no diagnóstico precoce dos casos de esporotricose. Com esse conhecimento, os profissionais poderão, durante as visitas casa a casa, identificar animais ou moradores com lesões suspeitas, orientar melhor as famílias e encaminhar os pacientes para o atendimento adequado. O trabalho integrado entre os serviços é fundamental para o controle da doença no município”, destacou a secretária adjunta de Saúde, Denise Barja.
Ações nos territórios
As equipes de saúde já iniciaram as ações de orientação aos moradores e busca ativa de casos no bairro Matão, que recebeu a primeira pesquisa de campo. A Secretaria de Saúde pretende manter a atividade de forma contínua e ampliar a atuação para áreas com maior número de registros de esporotricose, conforme a disponibilidade das equipes.
A pesquisa busca identificar casos suspeitos em humanos e animais, além de orientar os moradores sobre as formas de prevenção, os sinais da doença e os fluxos de atendimento da rede municipal.
Casos em Sumaré
A esporotricose é uma micose subcutânea causada por fungos do complexo Sporothrix. O fungo pode estar presente no ambiente, em matéria orgânica em decomposição, flores e troncos de árvores.
O gato doméstico é o principal reservatório e uma importante fonte de transmissão da doença para o ser humano. O contágio pode ocorrer por meio de arranhões, mordidas ou contato direto com lesões de animais infectados.
Em 2026, Sumaré recebeu 16 notificações de suspeita de esporotricose humana. Desse total, três casos foram confirmados. Em 2025, o município registrou 24 notificações, com 13 casos confirmados.
Entre os animais, Sumaré registrou, até o momento, 112 notificações de esporotricose em gatos em 2026.
As Vigilâncias Epidemiológica e em Zoonoses acompanham a situação de forma permanente e intensificam as ações de vigilância, diagnóstico, tratamento e controle da doença em humanos e animais.
Atendimento para animais
O atendimento aos animais segue um fluxo integrado entre os serviços municipais. A Unidade de Vigilância de Zoonoses é responsável pelo monitoramento da doença, mapeamento das áreas com registros de casos, realização de exames diagnósticos, notificações e fornecimento de medicamentos.
A Secretaria Municipal de Bem-Estar Animal realiza as consultas veterinárias, a coleta de exames e o acompanhamento clínico dos animais.
A Secretaria de Saúde orienta os tutores a procurar atendimento veterinário ao identificar lesões suspeitas em gatos. A população também deve evitar o contato direto com animais que apresentem feridas suspeitas e buscar orientação dos serviços municipais.
Atendimento para casos humanos
A Secretaria Municipal de Saúde implantou um fluxo padronizado para garantir o diagnóstico precoce, o tratamento adequado e o acompanhamento dos casos suspeitos de esporotricose humana.
As unidades de saúde realizam a avaliação clínica dos pacientes com suspeita da doença, fazem a notificação por meio da ficha específica de Esporotricose Humana e encaminham o caso à Vigilância Epidemiológica.
Após a notificação, ocorre a coleta de material biológico por swab para confirmação laboratorial. A Vigilância Epidemiológica providencia o recolhimento da amostra e o envio ao laboratório de referência.
O médico responsável pelo primeiro atendimento encaminha o paciente ao CRESSER (Centro de Referência em Saúde Sexual e Reprodutiva), onde ocorre a dispensação da medicação e, quando necessário, o acompanhamento com médico infectologista.
Pessoas que apresentem lesões ou outros sintomas compatíveis com a doença após contato com animais infectados devem procurar uma unidade de saúde. O diagnóstico precoce favorece o sucesso do tratamento e contribui para o controle da transmissão.
