Fiagros: como investir no agronegócio brasileiro sem comprar terras (SNFZ11 e SNAG11)

O agronegócio é um pilar fundamental da economia brasileira, representando cerca de 25% do Produto Interno Bruto (PIB) e quase metade das exportações do país. Apesar dos desafios recentes, como juros elevados, crédito mais caro, variações no preço das commodities e condições climáticas adversas, o setor mantém sua resiliência e atrai investidores interessados em oportunidades diversificadas.

O que são Fiagros e sua relevância para investidores

Os Fiagros (Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais) foram instituídos em 2021 para conectar investidores ao agronegócio por meio da bolsa de valores. Inspirados nos fundos imobiliários (FIIs), os Fiagros aplicam recursos em ativos ligados ao setor agro, como terras agrícolas, fazendas, operações de crédito rural, Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) e empresas da cadeia produtiva.

Além disso, os dividendos distribuídos pelos Fiagros são isentos de Imposto de Renda para pessoas físicas, desde que atendam às regras legais, possibilitando renda mensal sem a necessidade de administrar propriedades ou atuar no campo diretamente.

Duas estratégias de investimento: SNFZ11 e SNAG11

SNFZ11: exposição a terras e fazendas produtivas

O SNFZ11, conhecido como Suno Fazendas, investe diretamente em fazendas agrícolas, adquirindo áreas produtivas e aprimorando a infraestrutura para aumentar a produtividade, por meio de ações como implantação de irrigação e correção do solo. O fundo busca gerar renda contínua e valorização patrimonial, arrendando as terras para produtores rurais e recebendo parte da produção agrícola.

O portfólio atual do SNFZ11 possui cerca de 1.000 hectares em três grandes fazendas, principalmente nos estados de Mato Grosso, Tocantins e Maranhão, regiões que apresentaram valorização histórica superior a 300% em 15 anos. O fundo também mantém parte do patrimônio em CRAs, equilibrando geração de renda e valorização.

Entre seus indicadores, destacam-se dividendos recentes médios de R$ 0,10 por cota, patrimônio acima de R$ 110 milhões e um dividend yield anualizado estimado entre 12% e 13%.

SNAG11: foco em crédito para o agronegócio

O SNAG11, ou Suno Agro, atua na concessão de crédito a empresas do setor rural, investindo em CRAs, financiamentos estruturados e títulos ligados à produção agrícola. O fundo oferece uma renda mensal mais previsível, baseada nos pagamentos de juros realizados pelas empresas financiadas.

Com um portfólio diversificado, o SNAG11 possui aproximadamente 265 devedores e mantém inadimplência zero até o momento. Os dividendos distribuídos aumentaram recentemente, oscilando entre R$ 0,11 a R$ 0,20 por cota, o que pode resultar em um dividend yield potencial acima de 15% ao ano.

Seu patrimônio ultrapassa R$ 600 milhões, com mais de 120 mil cotistas e preço sobre valor patrimonial (P/VP) em torno de 1,06, mantendo uma estratégia focada em crédito de alta qualidade.

Comparativo entre SNFZ11 e SNAG11

Apesar de ambos serem gestados pela Suno, os fundos apresentam perfis distintos: o SNFZ11 foca na valorização e renda via terras agrícolas, com risco atrelado ao mercado imobiliário rural, enquanto o SNAG11 aposta na geração de renda por meio de crédito para empresas agroindustriais, com risco vinculado à capacidade de pagamento dos tomadores.

O agronegócio brasileiro segue atraindo investidores

Mesmo diante dos desafios, o Brasil mantém posição de destaque na produção e exportação mundial de commodities como soja, milho, carne, café e algodão. O agronegócio segue como uma alternativa sólida para quem busca diversificação e renda passiva.

Por meio dos Fiagros, investidores têm acesso facilitado ao setor pela bolsa, com possibilidade de receber dividendos mensais e adotar diferentes estratégias conforme o perfil e os objetivos financeiros. Assim, SNFZ11 e SNAG11 não são concorrentes, mas estratégias complementares para compor uma carteira diversificada com exposição às bases fundamentais do agronegócio nacional.